{"id":148,"date":"2012-08-13T08:00:35","date_gmt":"2012-08-13T08:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontravilaleopoldina.com.br\/noticias\/?p=148"},"modified":"2013-08-15T14:19:22","modified_gmt":"2013-08-15T14:19:22","slug":"vila-leopoldina-se-firma-como-a-hollywood-paulistana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontravilaleopoldina.com.br\/noticias\/vila-leopoldina-se-firma-como-a-hollywood-paulistana\/","title":{"rendered":"Vila Leopoldina se firma como a Hollywood paulistana"},"content":{"rendered":"<p>Na tela, um jovem chin\u00eas aposta todo seu dinheiro contra tr\u00eas sujeitos mal-encarados. N\u00e3o fosse por um peda\u00e7o da catedral da S\u00e9 em uma cena anterior, poderia parecer que a sequ\u00eancia faz parte de algum filme estrangeiro sobre mafiosos orientais.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o, contudo, vem da Vila Leopoldina, que se tornou h\u00e1 alguns anos polo do setor audiovisual da cidade. A combina\u00e7\u00e3o de amplos espa\u00e7os a pre\u00e7os baixos foi o principal motivo que fez est\u00fadios e produtoras migrarem para l\u00e1, o que estimulou o surgimento de restaurantes e lojas.<\/p>\n<p>Agora, o bairro da zona oeste v\u00ea a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica se aquecer por conta de uma lei federal (n\u00ba 12.485) cujas regras est\u00e3o prestes a entrar em vigor. A partir de 2 de setembro, os canais de TV a cabo ser\u00e3o obrigados a exibir semanalmente, no hor\u00e1rio nobre, 3h30 de conte\u00fado nacional, dos quais 50% t\u00eam de ser feitos por produtoras sem v\u00ednculo com as emissoras.<\/p>\n<p>Est\u00fadios, produtoras e locadoras de equipamentos comemoram a legisla\u00e7\u00e3o, sancionada no ano passado, e estimam que a demanda local deve aumentar em cerca de 30% nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Algumas produtoras j\u00e1 registram o aumento. &#8220;Hoje temos 120 programas em produ\u00e7\u00e3o, muitos deles j\u00e1 por conta da nova lei&#8221;, diz Edu Tibiri\u00e7\u00e1, produtor-executivo da BossaNovaFilms, que fica na Vila Madalena, mas filma parte de seus projetos nos est\u00fadios da Quanta, maior complexo do g\u00eanero, desde 2005 na Vila Leopoldina. A movimenta\u00e7\u00e3o do setor na regi\u00e3o \u00e9 tanta que Tibiri\u00e7\u00e1 e seus s\u00f3cios estudam a constru\u00e7\u00e3o de uma sede pr\u00f3pria ali.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois meses, a loja Hollywood Store, que vende material para produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, mudou-se da Vila Madalena para um espa\u00e7o cont\u00edguo \u00e0 Quanta, e um novo restaurante, o Comedoro, abriu em mar\u00e7o no terreno da produtora O2 Filmes. A casa tem painel grafitado e cadeiras coloridas. &#8220;A identidade visual combina com os frequentadores. J\u00e1 vim pensando nesse p\u00fablico&#8221;, diz a dona, Karla Rios.<\/p>\n<p>&#8220;As empresas relevantes do setor est\u00e3o em S\u00e3o Paulo e muitas delas aqui na Vila Leopoldina&#8221;, diz Paulo Schmidt, s\u00f3cio do Grupo Ink, conglomerado que abriga no mesmo espa\u00e7o seis empresas, entre p\u00f3s-produtoras, geradoras de conte\u00fado para web e produtoras de filmes publicit\u00e1rios e para cinema. &#8220;Temos uns 30 projetos nas prateleiras para oferecer aos canais e tamb\u00e9m estamos sendo demandados para or\u00e7ar o conte\u00fado feito por eles.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Alexandre Silva Filho, gerente comercial da Quanta, a demanda vem crescendo desde o come\u00e7o do ano. &#8220;Janeiro \u00e9 um m\u00eas tradicionalmente fraco, mas os espa\u00e7os estavam ocupados.&#8221; At\u00e9 o m\u00eas passado, um deles servia para a filmagem do seriado &#8220;Sess\u00e3o de Terapia&#8221;, dirigido por Selton Mello, que estreia em outubro no canal GNT. &#8220;O pessoal da Discovery [canal a cabo] veio aqui outro dia. Disseram que n\u00e3o era por conta da lei, mas eu acho que era.&#8221;<\/p>\n<p>O empurr\u00e3o dado pela norma ainda n\u00e3o foi percebido pela BurtiHD, empresa de loca\u00e7\u00e3o de est\u00fadios h\u00e1 cinco anos no bairro. &#8220;Ainda n\u00e3o sentimos um aumento, mas acho que, assim que a legisla\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a valer, vamos passar a receber mais trabalhos&#8221;, diz o vice-presidente, Leandro Burti.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem n\u00e3o veja a regra com bons olhos, caso dos canais a cabo, obrigados a cumprir a cota nacional. O vice-presidente da Fox International Channels Brasil, Gustavo Leme, critica a imposi\u00e7\u00e3o. &#8220;Somos contra porque a lei n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. A Fox sempre produziu conte\u00fado nacional.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 a Turner, que re\u00fane canais como TNT e Cartoon Network, acha que n\u00e3o haver\u00e1 muitas mudan\u00e7as na sua programa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 recheada de produ\u00e7\u00f5es nacionais. O desafio agora, diz Anthony Doyle, vice-presidente regional e diretor-executivo de conte\u00fado da empresa no Brasil, \u00e9 n\u00e3o perder a identidade. &#8220;A lei for\u00e7a emissoras a se nacionalizarem e isso muitas vezes vai contra o esp\u00edrito do canal.&#8221;<\/p>\n<p>Vice-presidente de produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do Discovery para a Am\u00e9rica Latina, Michela Giorelli espera que a legisla\u00e7\u00e3o ajude a baratear os custos. &#8220;\u00c9 muito interessante trabalhar em S\u00e3o Paulo, mas as produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito caras&#8221;, disse ela, que na \u00faltima semana visitou est\u00fadios na regi\u00e3o em busca de parceiros.<\/p>\n<p>Com ou sem preju\u00edzo aos canais, a legisla\u00e7\u00e3o deve movimentar a ind\u00fastria, segundo Fernando Meirelles, diretor de longas como &#8220;Cidade de Deus&#8221; e s\u00f3cio da O2 Filmes. &#8220;O mercado tende a crescer com a lei e a \u00e1rea parece ser mesmo atrativa para as produtoras&#8221;, diz Meirelles. Sua empresa, que ampliou as instala\u00e7\u00f5es h\u00e1 quatro meses, foi uma das desbravadoras da regi\u00e3o, em 2002.<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o cabia nos lugares legais que encontr\u00e1vamos&#8221;, lembra Rejane Bicca, diretora de atendimento da 02, que tamb\u00e9m faz filmes publicit\u00e1rios. &#8220;A Vila Leopoldina agora est\u00e1 &#8216;hype&#8217;, mas antes a gente tinha de pedir para os clientes virem para c\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, a empresa divide o bairro com outras do ramo, como Nation Filmes, Santo Forte Digital e D\u00ednamo, tamb\u00e9m atra\u00eddas pelos baixos pre\u00e7os dos im\u00f3veis, pelos amplos galp\u00f5es e pela facilidade de acesso \u00e0s marginais. Algumas t\u00eam na cartela de clientes ag\u00eancias de publicidade de outras regi\u00f5es da cidade, como DPZ e \u00c1frica.<\/p>\n<p>&#8220;A concentra\u00e7\u00e3o dessas empresas na Vila Leopoldina \u00e9 vantajosa porque h\u00e1 muita troca&#8221;, diz Kiko Mistrorigo, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Produtoras Independentes de Televis\u00e3o. &#8220;\u00c9 bom para todo mundo: clientes, fornecedores e produtores. S\u00f3 falta uma filial do Projac&#8221;, diz, em refer\u00eancia \u00e0 central da Rede Globo no Rio.<\/p>\n<p>Entre os recentes ocupantes est\u00e1 Marcelo Lepiani, s\u00f3cio da produtora Santo Forte, que mantinha escrit\u00f3rio na Vila Madalena e est\u00fadio em Santo Amaro, mas h\u00e1 um ano aluga um galp\u00e3o de cerca de 1.000 m\u00b2 no bairro. &#8220;Aqui tem produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o no mesmo lugar&#8221;, diz ele, que contrata locadoras de equipamentos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Cinemateca mant\u00e9m, desde 2009, uma unidade para armazenar, digitalizar e imprimir seu acervo fotogr\u00e1fico. Para o pr\u00f3ximo ano, a entidade cogita dar cursos e abrir um museu com moviolas e refletores que pertenceram a est\u00fadios j\u00e1 extintos, como Vera Cruz e Atl\u00e2ntida.<\/p>\n<p>VALORIZA\u00c7\u00c3O IMOBILI\u00c1RIA<\/p>\n<p>De acordo com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrim\u00f4nio), a presen\u00e7a dessas empresas ajudou a revitalizar o bairro -houve um aumento de 59% no pre\u00e7o do metro quadrado comercial nos \u00faltimos dois anos -era R$ 5.400 em 2010 e hoje custa R$ 9.110. &#8220;A transforma\u00e7\u00e3o dos galp\u00f5es em empresas de audiovisual valorizou a regi\u00e3o&#8221;, diz o diretor da entidade, Luiz Paulo Pompeia.<\/p>\n<p>Para o produtor Augusto Sev\u00e1, da Albatroz Filmes, a valoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim. &#8220;N\u00e3o sei se ser\u00e1 vi\u00e1vel [manter os est\u00fadios] por causa do custo dos im\u00f3veis.&#8221; Ivan Teixeira, da Nation Filmes, tem opini\u00e3o semelhante. &#8220;\u00c9 quest\u00e3o de tempo para deixar de valer a pena&#8221;, diz ele, na Vila Leopoldina desde 2008.<\/p>\n<p>Apesar de ter disparado, o metro quadrado \u00e9 mais barato que em outros bairros. Dados recentes da Embraesp mostram que, na Vila Ol\u00edmpia, onde tamb\u00e9m h\u00e1 empresas de economia criativa, ele sai por R$ 15.462.<\/p>\n<p>A infraestrutura da Vila Leopoldina, por\u00e9m, ainda \u00e9 problem\u00e1tica. &#8220;A maior desvantagem s\u00e3o as enchentes nos per\u00edodos chuvosos&#8221;, diz Ottoni Fernandes Junior, diretor da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o, que mant\u00e9m ali a sede regional da TV Brasil. &#8220;Apesar de termos instalado comportas, acabamos ilhados quando chove.&#8221; Para Carlos Magalh\u00e3es, diretor da Cinemateca, a possibilidade de enchentes n\u00e3o passou batida. &#8220;Tanto \u00e9 que o acervo fica no segundo andar.&#8221;<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a regi\u00e3o tem pouca ilumina\u00e7\u00e3o e fica pr\u00f3xima da Ceagesp, onde se forma uma minicracol\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Os problemas foram compilados pelo diretor do Ecine (Escrit\u00f3rio de Cinema de S\u00e3o Paulo), Eder Mazini, em 2010, e entregues \u00e0 Secretaria Municipal de Cultura. Segundo a Subprefeitura da Lapa, uma das a\u00e7\u00f5es em andamento \u00e9 a retirada de caixas de alimentos perto da Ceagesp, para que n\u00e3o entupam bocas-de-lobo. Outra \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de 21 pontos de luz.<\/p>\n<p>Mesmo com os percal\u00e7os enfrentados nos \u00faltimos anos, a regi\u00e3o ajudou a alavancar a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica -em 2007, foram 22 produ\u00e7\u00f5es do estado de S\u00e3o Paulo; em 2011, 98. Muitas s\u00e3o gravadas nas ruas, mas acabam passando pela Vila Leopoldina -como a s\u00e9rie &#8220;Destino S\u00e3o Paulo&#8221;, descrita no in\u00edcio desta mat\u00e9ria, sem previs\u00e3o de estreia na HBO e que est\u00e1 sendo finalizada na O2.<\/p>\n<p><em>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na tela, um jovem chin\u00eas aposta todo seu dinheiro contra tr\u00eas sujeitos mal-encarados. 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